domingo, 28 de fevereiro de 2021

Fevereiro de 2021 foi um mês de TURBULÊNCIA para estatal petrobrás

 

As 5 maiores quedas e as 5 maiores altas do Ibovespa no turbulento mês de fevereiro


Mesmo com a turbulência com Petrobras, quem liderou a queda foi Via Varejo, mas a petroleira também teve forte baixa; entre as altas, Embraer foi destaque
SÃO PAULO – O mês de fevereiro foi de bastante turbulência para o Ibovespa, que fechou em baixa de 4,4% no período tanto por fatores externos  – com os temores do impacto no mercado de ações de um aumento da inflação nos EUA – quanto por fatores internos, novamente com destaque para os sinais de interferência política nas estatais.

Com isso, as ações da companhia mais afetada pelas atitudes do governo estão no “top 5” entre as que mais tiveram queda percentual no segundo mês do ano. Trata-se da Petrobras (PETR3, R$ 22,15, -18,95%;PETR4, R$ 22,24, -16,67%) que, em cerca de um mês, passou de uma companhia com um cenário promissor para voltar a ser uma estatal nebulosa para os investidores em meio ao noticiário de maior interferência.

O começo do mês já havia sido turbulento em meio à polêmica sobre a revelação da política de análises de preços da companhia, informação esta vinda à nota pela Reuters. A agência informou que a empresa tinha ampliado o período de apuração do resultado da política de preços de combustíveis em relação à paridade internacional de três meses para um ano, gerando muitas dúvidas sobre o impacto desses parâmetros de reajustes no resultado da empresa. Isso suscitou uma onda de revisões de recomendações para baixo para a companhia – mas o pior ainda estaria por vir.

Houve um certo alívio no mercado quando a Petrobras anunciou um reajuste de 15% no preço do diesel e de 10% na gasolina, uma vez que o “gap” ante os preços cobrados externamente diminuiria. Contudo, esse reajuste também suscitou diversas reclamações por parte do presidente Jair Bolsonaro.

Após uma última sexta-feira (19) bastante tensa no mercado, o governo anunciou durante a noite a indicação do general da reserva Joaquim Silva e Luna para o lugar de Roberto Castello Branco no comando da Petrobras, o que levou a mais uma onda de cortes de recomendações. Somada, a perda de valor de mercado para a Petrobras nas sessões entre sexta e segunda-feira foi de R$ 102 bilhões.

Em meio à forte volatilidade, as ações até registraram uma recuperação expressiva na última terça-feira (23), com alguns analistas destacando que ainda era cedo para saber como seria a gestão de Silva e Luna à frente da estatal e também com notícias que apontavam que as finanças da Petrobras poderiam não ser impactadas tão severamente em caso de maior controle de preços (como no caso de fundos de estabilização, entre outros).

De qualquer forma, as ações PETR3 e PETR4 se tornaram ainda mais sensíveis a quaisquer declarações políticas, principalmente vindas de Bolsonaro.

Ontem, as ações fecharam em forte queda. Um dos motivos foi a afirmação de Bolsonaro em discurso durante cerimônia que todas as estatais precisam cumprir uma função social e que “não se pode admitir um presidente de estatal que não tenha essa visão”. Ele ainda afirmou ainda que o general Joaquim Silva e Luna, indicado para o Conselho de Administração e a presidência da Petrobras, dará uma nova dimensão à empresa.

“Na nossa visão, a fala colabora para uma maior percepção de risco para as ações da Petrobras, principalmente no que diz respeito à manutenção de uma política de preços de combustíveis alinhada com referências internacionais de preços de petróleo e câmbio. Mantemos recomendação de venda nas ações da Petrobras, com preços-alvo de R$ 24 por ação para PETR4/PETR3”, aponta a XP Investimentos.

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